UMA BATALHA APÓS A OUTRA (ANÁLISE, REVIEW)

 

PTA:
O MAESTRO 
DO CAOS HUMANO


UMA BATALHA APÓS A OUTRA, GEEK RESENHAS

Uma Batalha Após a Outra é um lembrete de que o cinema de entretenimento pode ser inteligente, esteticamente apurado e, acima de tudo, extremamente divertido.


Paul Thomas Anderson coloca em sua premiada filmografia mais um exemplar que destoa do que grande parte de Hollywood costuma preferir por fórmulas prontas, com a intenção de criar franquias de qualidade duvidosa.

Assistir a um filme de Paul Thomas Anderson é, acima de tudo, um exercício de observação da obsessão. Desde seus primeiros passos nos anos 90, o cineasta californiano estabeleceu-se não apenas como um diretor, mas como um artesão da psique americana, capaz de transitar entre o espetáculo frenético e o silêncio ensurdecedor de um close-up.

No início de sua carreira, Anderson exalava uma energia puramente cinematográfica. Era o cinema do "excesso": câmeras que voavam por clubes noturnos em planos-sequência impossíveis e trilhas sonoras que ditavam o batimento cardíaco da audiência. Ali, ele provou ser um herdeiro direto de Scorsese, mestre em orquestrar elencos numerosos onde cada personagem, por mais quebrado que fosse, buscava desesperadamente um lugar de pertencimento.

A verdadeira maturidade de PTA revelou-se quando ele decidiu abraçar o rigor. Em Sangue Negro, o diretor abandonou o movimento constante para focar na iconografia monumental. A performance de Daniel Day-Lewis sob a direção de Anderson transformou o filme em um estudo sobre a ganância que beira o mitológico. É aqui que notamos sua maior virtude: a capacidade de filmar o isolamento. Seja qual for o ambiente, PTA filma pessoas que são prisioneiras de suas próprias mentes e talentos.

Em suma, o cinema de Paul Thomas Anderson não oferece respostas fáceis ou catarses baratas. Ele prefere o desconforto da ambiguidade e a beleza do imperfeito. Seus filmes são retratos de homens e mulheres grandiosos, terríveis e profundamente carentes, movidos por uma ambição que os constrói e, inevitavelmente, os consome. É um cinema de fôlego, feito para ser sentido tanto na pele quanto no intelecto.


O DELEITE
DE DICAPRIO E ANDERSON

 

UMA BATALHA APÓS A OUTRA, GEEK RESENHAS

O grande motor de Uma Batalha Após a Outra é, sem dúvida, Leonardo DiCaprio. Acostumados a vê-lo em papéis de intensidade dramática absoluta, aqui somos apresentados a uma outra faceta revigorante de seu leque infindável de cartas na manga: o “tragi-cômico”.

DiCaprio entrega um personagem que transita entre o patético e o brilhante. Ele não busca a piada óbvia, mas sim o humor que nasce do desespero e das situações absurdas, como na cena onde precisa entrar em contato com sua “antiga equipe” para procurar sua filha; e nos entrega uma cena hilária. Ao mesmo tempo, ele é capaz de entregar um momento de reencontro visceral, como o visto em outro determinado ponto da trama.

O fato de DiCaprio sempre trabalhar com grandes realizadores, desde o início de sua carreira, o transforma em um artista de qualidade ímpar, que já experimentou um pouco de cada persona em tela; e Paul Thomas Anderson sabe extrair o melhor de cada colaborador em suas obras, e ter um ator do peso de DiCaprio para seu projeto, talvez seja o que faltava ao diretor para alcançar uma parte do público que ainda não conhecia o seu trabalho; e assim, o alçar como o grande favorito para a temporada de premiações quando o quesito é Melhor Filme e Melhor Direção. 

Para equilibrar a energia vibrante de DiCaprio, o longa traz Sean Penn em um papel coadjuvante cirúrgico. Penn oferece o contraponto necessário, servindo como uma "âncora" de sobriedade (ou de uma loucura muito mais contida e ameaçadora). A química entre Penn com os demais artistas que o cercam é magnética, criando um jogo de gato e rato onde as nuances de Penn valorizam cada momento de explosão cômica do protagonista. E seja qual a vítima da vez; seja a Perfidia de Teyana Taylor ou a Willa de Chase Infiniti; a régua sempre sobe quando Penn está em telas. É como se o Sean fosse o Sol, que alimenta e enaltece todos os demais astros que orbitam ao seu redor. E quem ganha com isso(além de nós, telespectadores), é o próprio ator que entrega mais uma atuação icônica em sua prestigiada carreira.


UMA BATALHA APÓS A OUTRA, GEEK RESENHAS


E o que amarra toda a experiência de Uma Batalha Após a Outra é o seu ritmo impecável. O filme não desperdiça quadros, mantendo uma cadência que remete diretamente ao auge dos Irmãos Coen (como em Fargo ou Onde os Fracos Não Têm Vez). Transformando as quase três horas de longa em um delicioso thriller policial que flerta com o drama de forma proposital e eficaz

Com diálogos ágeis, palavras servem como disparos, onde o subtexto é tão importante quanto o que é dito. Aliados ao Fatalismo (aquela sensação de que tudo pode dar errado a qualquer segundo, mas que, de alguma forma, o absurdo da situação nos faz sorrir).

A montagem dinâmica permitindo que a transição entre cenas mantenha o espectador em constante estado de atenção, sem nunca soar cansativo. É cinema no mais puro significado, e a batuta de Paul Thomas Anderson, orquestrando um elenco que entrega algumas de suas melhores atuações na carreira. Teyana Taylor é soberba e sua Perfidia, é tão deliciosamente multifacetada que ficamos com um gostinho de que uma série derivada da personagem não seria nada mal.

A Willa, de Chase Infiniti cresce a medida que a trama vai se desenrolando, e entrega um dos melhores momentos de ação do longa.

O fundo político é peça central da trama, porém funciona mais com uma base para o desenvolvimento dos personagens; sendo utilizado como cicatrizes para aqueles guerrilheiros, que já não conseguem mais ver a vida com outros olhos, senão os olhos castigados por seu idealismo.


UMA BATALHA APÓS A OUTRA, GEEK RESENHAS

"Uma Batalha Após a Outra" surge como uma daquelas gratas surpresas que equilibram o peso do drama com uma acidez irresistível. O longa consegue a proeza de tratar temas densos sem perder o fôlego, apoiado em um elenco afiado e uma direção que sabe exatamente quando pisar no acelerador.