Ruby(Emily Jones), de 17 anos, é a única pessoa que ouve em uma família de surdos. Quando o negócio de seus pais é ameaçado, ela fica dividida entre seu amor pela música e suas obrigações como intérprete de sinais no trabalho com seu pai
Não é fácil ser original com tantas produções que retratam
as mais diversas dificuldades de uma pessoa que possui algum tipo de doença,
deficiência ou que se encontram em um espectro alternativo ao tratado como
“convencional”. Mas CODA aborda a
deficiência auditiva de um modo leve e didático, sem apelar para melodramas que
veríamos em qualquer outra produção Oscarbait;
e está justamente neste ponto, algo que já diferencia a produção de tantas
outras histórias de superação que a Academia adora.
E já que falamos nele, Troy Kutsur é impecável como o
patriarca da Família Rossi. Um pai esforçado, trabalhador e que mesmo após
tantos anos de luta, ainda precisa reunir forças para lutar ainda mais, para
colocar o pão de cada dia na mesa. Algo que sempre é muito bem vindo quando
consumimos produções estadunidenses, que grande parte das vezes, passa a
impressão que todos vivem de ações da Bolsa de Valores, e moram em casas de
luxo.
A indicação de Troy Kutsur ao Oscar de Ator Coadjuvante é
muito merecida, e vem sendo vista como uma possibilidade real de vitória, mesmo
que a categoria este ano, possua nomes com grandes trabalhos feitos como o de Kodi Smit-McPhee em Ataque dos Cães e Ciarán
Hinds, de Belfast.
Outros dois atores que não vem sido tão ventilados na
temporada de premiações mas que cabem em uma menção honrosa, são os nomes de Daniel
Durant e Eugenio Derbez. O primeiro, como o irmão mais velho de Ruby, e
que possui um diálogo extremamente forte e tocante com a caçula próximo ao ato
final. Já Eugenio é Bernardo Villalobos, professor de Ruby, e que enxerga na
menina um talento, que naquele instante, nem ela mesmo acreditava que poderia
chegar tão longe.
Vale lembrar que CODA é uma refilmagem de A Família Bélier, de 2014; produção
francesa que também recebeu muitos elogios da crítica, o que motivou ao
lançamento deste remake em terras estadunidenses. Muitos criticam este
“costume” da indústria americana em produzir incontáveis remakes das mais
variadas partes do mundo, mas é algo que torna mais acessível diversas
produções, que sem seus “remakes derivados” não alcançariam um público tão
grande; afinal é muito mais fácil procurarmos em um catálogo de streaming ou na
fila do cinema por produções que nos soem como familiar, e o estilo
estadunidense já sai na frente neste quesito, por culturalmente aderirmos ao
estilo americano, como algo mais “normal”
ao nosso cotidiano, o que acaba depreciando diversas obras que são tão
maravilhosas quanto a indústria Hollywoodiana.
O elenco de CODA também conta com a estrela Marlee
Matlin, única vencedora surda do Oscar de Melhora Atriz; prêmio que ela
conquistou por sua atuação em Filhos do
Silêncio, de 1986. A atriz foi uma das maiores entusiastas do projeto de
CODA, inclusive fazendo questão que todos os personagens surdos da trama fossem
interpretados por atores realmente surdos; o que foi extremamente benéfico para
a recepção do projeto nos mais diversos grupos de apoio e tratamento à pessoas
com esse tipo de deficiência. E que viram no filme, além do respeito pela
escolha dos atores, uma dramatização original, ao apresentar pessoas surdas
vivenciando um cotidiano com trabalho, relações amorosas, e vida familiar; como
os de qualquer outra pessoa. Ao invés de apresentar um lado mais melodramático
e com mais lágrimas que lições a serem aprendidas.
CODA está disponível
no Brasil, através do Amazon Prime Video. E sua distribuição e campanha para a
temporada de premiações foi custeada pela gigante Apple.
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