PÂNICO 7 (CRÍTICA, SCREAM 7)

 

O LEGADO DA MÁSCARA:
O RETORNO DE SIDNEY
PARA ONDE NUNCA
DEVERIA TER SAÍDO

PÂNICO 7 (CRÍTICA, SCREAM 7),GEEK-RESENHAS

Desde que Casey Becker atendeu aquele fatídico primeiro telefonema em 1996, a franquia Pânico não apenas sobreviveu ao gênero slasher, ela o ditou. Enquanto outras sagas de terror se desgastaram com sequências repetitivas, a criação de Wes Craven e Kevin Williamson manteve sua relevância através da metalinguagem e de uma regra inquebrável: o assassino sempre conhece os filmes de terror tanto quanto o público. Agora, com a chegada de Pânico 7, a franquia enfrenta o desafio de honrar um legado que nunca teve medo de quebrar as próprias regras para se manter vivo. E para entender o peso deste sétimo capítulo, é preciso recapitular como a saga se transformou em um verdadeiro tabuleiro de xadrez cinematográfico ao longo das décadas. 

Tudo começou com o nascimento da metalinguagem no filme original de 1996, situado na cidade fictícia de Woodsboro. A produção ensinou ao público as "regras para sobreviver a um filme de terror", subvertendo clichês e revigorando o gênero para os anos 90. Logo em seguida, a sequência de 1997 elevou a aposta ao desconstruir o conceito das continuações, trazendo a ideia de que tudo deve ser maior, mais sangrento e que nenhum personagem está realmente a salvo. 

A virada do milênio trouxe o encerramento da trilogia original em 2000, focando nas origens de Sidney Prescott e sua família; e fazendo uma crítica ácida aos segredos sombrios de Hollywood. Após um longo hiato, a franquia retornou em 2011 com uma análise perspicaz sobre a era dos remakes e das redes sociais, antecipando a busca doentia por visibilidade digital que definiria o século XXI. 
Recentemente, a saga se reinventou novamente com o lançamento de Pânico 5 em 2022; que introduziu o conceito de "sequência legado" ao apresentar uma nova geração de protagonistas enquanto lidava com as expectativas do costumeiro fan service. Essa evolução culminou na brutalidade urbana do sexto filme em 2023, que quebrou a tradição geográfica ao levar o caos para Nova York, provando que o terror não respeita jurisdições. Agora, Pânico 7 surge em um cenário de transição, pronto para nos lembrar que, no universo de Ghostface, a única constante é a surpresa.

É precisamente sobre esse alicerce de metalinguagem e reinvenção que Pânico 7 se sustenta, mas não sem antes chacoalhar as estruturas que os fãs julgavam consolidadas. Se os capítulos anteriores nos ensinaram a temer o telefone e a desconfiar do óbvio, este novo filme mergulha em uma atmosfera de incerteza técnica e narrativa, questionando se a franquia ainda consegue chocar em um mundo onde o espectador já decorou todas as regras.
Ao voltarmos os olhos para a trama atual, percebemos que o Ghostface de agora não busca apenas repetir o passado, mas sim desconstruir o próprio conceito de "final feliz" que a saga tentou construir ao longo de três décadas. É a partir desse embate entre o novo e o clássico que a obra se revela.

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Algo que Pânico sempre dominou muito bem foi traduzir para as telas, a tecnologia “do momento”; e desta vez não foi diferente; com a tão famigerada Inteligência Artificial. Assim como em 1996, os celulares eram a novidade; em 2011 as redes sociais começaram a ditar quem seria os “famosos” da vez; e em 2022, o conceito de casas inteligentes foi pincelado enquanto Tara era mutilada diante de nossos olhos; o exemplar de 2026 traz o uso da inteligência artificial como arma; aliado, é claro, a arma mais potente do cinema atual; a nostalgia.

Utilizando o retorno de atores icônicos para a franquia(o que não é spoiler, pois os mesmos já confirmaram isso há alguns meses), Pânico 7 eleva a nostalgia, não só em aparições especiais, mas com trilha sonora, referências, e tudo o que o diretor Kevin Williamson tem em seu arsenal para derreter o coração dos fãs mais fervorosos do universo de Pânico.
No seu primeiro trabalho como diretor na franquia, ele entrega um feijão com arroz bem feito. Alguns irão questionar a falta das famosas cenas de perseguição, mas cá entre nós, quem reclama disso, está focado muito mais nas exceções como nas cenas de perseguição de Gale e Sid em Pânico 2, do que nas regras; pois essas longas cenas de perseguição raramente são vistas nos demais filmes, salvaguardo as cenas de abertura. Por falar nisso, é nela que iremos focar agora.

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A cena de abertura de Pânico 7 é um deleite para os espectadores, com referências à rodo aos filmes Pânico e Pânico 5; com um Airbnb dos sonhos para qualquer fã da franquia; com direito a animatrônico em tamanho real(PÕE REAL NISSO!), além de muitos diálogos do próprio casal vítima da vez.

A residência de Stu Macher nunca mais será a mesma depois dessa cena de abertura, que apesar de não trazer algo de muito inovador, ainda é um bom pontapé inicial que apresenta um Ghostface brutal e sem piedade.
Algo que também observamos é a forma com que o longa se posiciona como uma produção que escolhe Stu Macher como um importante alicerce do passado de Sidney; ao invés dos exemplares protagonizados por Melissa Barrera que direcionavam a atenção para Billy Loomis. O que virou até piada na cena de abertura de Pânico 5, onde ali a Ghostface Amber brinca com o fato de só lembramos de Billy como o Ghostface original da franquia.
Stu é um dos killers mais ativos da história de Pânico, e Matthew Lillard sempre amou ser lembrado por esse icônico personagem dos anos 90. Pânico 7 faz justiça não só a Sidney, trazendo Neve Campbell do lugar que ela nunca deveria ter saído; como o rosto da franquia; mas também traz Matthew de volta para relembrarmos o quão importante ele é para o passado dessa série de filmes.


Os novos integrantes do núcleo de suspeitos adolescentes são mais do mesmo. Nenhum tem o destaque de coadjuvante de luxo de exemplares passados como os divertidos Randy e Tatum(a original) de filmes anteriores; e estão muito mais para nos entregar mais mortes(na bela fotografia de Ramsey Nickell diga-se de passagem).
A Tatum de Isabel May é mediana, e lembra um pouco a Sam, de Melissa Barrera em Pânico 5. Ainda não muito confortável no papel, mas com potencial para carregar a franquia pelos próximos anos; porque como diria Stu Macher trinta anos atrás: “Sempre tem que ter uma sequência!”
Sua interação com Neve Campbell é muito orgânica e nos cativa pela química entre as atrizes, e também por estarmos diante de personagens inteligentes, que tomam decisões críveis e que carregam a trama adiante.

E por falar em química, a Gale Weathers de Coutrney Cox também retorna, e claro, da melhor forma Gale Weathers; com os dois pés na porta. Suas aparições são breves, mas satisfatórias, como a tão aguardada entrevista com Sidney, que finalmente sai do papel.


Mas, e a revelação dos assassinos?


É...bom... aí temos um ponto. Porque essa revelação está lado a lado com a de Pânico 6 como umas piores da franquia até então. Importante dizer, que após a revelação, entendemos a brutalidade dos killers ali apresentados; porém o contexto e motivações deixam tudo muito perdido em meio a uma trama que até então, tinha muito potencial para entregar um desfecho de primeira prateleira da franquia. Este final, não permite que Pânico 7 entre no topo da tier list da série, mas ainda assim coloco ele acima de exemplares mais polêmicos como o terceiro e sexto capítulo da série.

A oscilação nas atuações também incomoda, com boas adições ao elenco como o Ben, de Sam Rechner; ou a Chloe, de Celest O. Mas com atuações duvidosas como as da inexpressiva Hannah, de Mckenna Grace; e o forçado Lucas, de Asa Germann.
Claro que muito dessa gangorra, pode ser devido a inexperiência do próprio Kevin Williamson na direção, que precisa extrair o melhor de seus comandados. Mas isso só saberemos nos próximos trabalhos do diretor e do elenco.

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Pânico tem a fama de ser a franquia de terror que não possui filmes ruins, e o sétimo exemplar da franquia permite que a invencibilidade continue. Com um longa nostálgico, o retorno da final girl definitiva; uma direção que não inova, mas também não decepciona; e boas cenas de ação que fazem dele um retorno as origens; e entrega o que os fãs de longa data mais sentiram falta em Pânico 6. Wes Craven certamente está orgulhoso do trabalho de Kevin na direção. Se Pânico não encerra da melhor forma possível, ele encerra com um gostinho especial em nosso coração, de saber que nossa Sidney Prescott está de volta e ao seu lado, Isabel May, servindo como uma promissora luz para seguir a franquia por mais alguns anos.

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