UM REVIEW
DO POLÊMICO
SUCESSO NACIONAL!
“Um ideal não pode ser derrubado por balas!”

Após diversos adiamentos, esta semana finalmente chega aos
cinemas Marighella; filme dirigido por Wagner Moura, e com um grande elenco do
cinema nacional, o longa vem cercado de polêmicas devido a revisionistas do
Golpe Militar de 1964 considerarem a imagem de Marighella, como um criminoso,
ao invés de um mártir, como retratado no projeto.
Claro que alguém que considera a Ditadura Militar como algo
benéfico, não possui tanta lucidez para julgar qualquer homem que seja. Mas
enfim, bolsominions à parte, vamos
para o nosso review!
"Ano 1969, Marighella não tinha tempo para ter medo. Por um lado, uma violenta Ditadura Militar; por outro, uma Esquerda intimidada. Ao lado, revolucionários trinta anos mais jovens que ele e dispostos a lutar, o líder revolucionário optou pela ação.
Em Marighella, "o inimigo número um do Brasil" tenta articular uma resistência o tempo todo, expulsando os crimes hediondos de tortura e a infame censura instituída pelo regime opressor. Em um confronto radical, ele luta por um povo cujo apoio é incerto - o tempo todo tentando manter a promessa de voltar a se reunir com seu filho - de quem ele se distanciou para proteger o próprio menino, e a Democracia"
A direção de Wagner Moura, com textos de Felipe Braga(e do
próprio Wagner) nos conduz por momentos cruciais e icônicos da biografia de
Carlos Marighella. Interpretado de forma magnífica por Seu Jorge, os mais de
150 minutos de trama revelam um retrato íntimo da luta do protagonista em prol
da liberdade, que fora retirada dos brasileiros, através do Golpe Militar de
1964.
Injustiças, torturas, mortes e desaparecimentos. Tudo isso
elevado à décima potência em um dos períodos mais sangrentos e obscuros da história
do Brasil. Essa foi a Ditadura Militar Brasileira; um episódio que perdurou de
março de 1964, até o fim da década de 80.
Algo que mexe com qualquer pai, mãe, marido, esposa; ou qualquer
um que tenha um ser com o qual se importe muito; é ver os bastidores da luta
diária(no caso de Marighella, literalmente um luta diária), e o medo de que
qualquer erro ou vacilo, por menor que seja, se transforme em uma consequência para
nossos entes queridos.
Desde uma resposta mais malcriada aquele chefe soberbo, à um
olhar mais fechado para um determinado ato ilícito; tudo que pode ser
transformado em um ato de represália a nós mesmos e a quem depende de nossa
proteção e recursos, nos assusta.
Agora, imagina a situação de um ativista à moda antiga, com
um ideal acima de tudo, que lutava por uma sociedade livre e igualitária.
Imagina você viver em um país em que as principais autoridades conspiram contra
qualquer um que não aceite seu método extremista e mega violento de governar.
Marighella se levantou contra armas e exércitos, e até
mesmo, contra muitos dos que julgavam estar ao seu lado; com o propósito de engendrar
uma Revolução que chegasse as massas, e consequentemente, ao Poder Executivo.
Infelizmente, ele não viveu tempo suficiente para ver seu
sonho virar realidade(e talvez nem nós tenhamos visto ainda).

O longa que rendeu o Prêmio de Melhor Ator para Seu Jorge,
no Festival Internacional de Bari, narra de forma fiel, o decorrer de poucos
anos da vida de Carlos Marighella, e mesmo não esmiuçando momentos da juventude
do militante e indo direto aos anos de luta; nos é entregue um panorama geral
do protagonista e do ambiente vivido.
Destaque também para o bom elenco de coadjuvantes,
especialmente Bruno Gagliasso, dando vida a um delegado tão odiável, que
poderia se chamar Jair, ao invés de Lúcio.
Humberto Carrão, Herson Capri e Adriana Esteves também estão
soberbos no projeto, e têm seus momentos de destaque, em momentos extremamente
emotivos da trama.
Toda a engrenagem governamental que se movimenta para
assassinar Marighella, incluindo seu atentado sofrido em um cinema; até a
resposta da Resistência, com um ataque contra a Embaixada estadunidense, este o
primeiro ataque a uma Embaixada dos Estados Unidos no mundo, durante toda a
história.
Como dito, o longa não se passa pela infância e juventude de
Marighella, pois se o fizesse, sua duração seria gigantesca; e a própria
duração de mais de duas horas e meia já pode ser arrastada em determinados
momentos. Algo mais sucinto teria um alcance mais fácil por parte do público.
Todavia, se tem algo que a direção de Wagner Moura não quer ser, é sucinto.
Com direitos a ótimas cenas de ação, uma mixagem sonora
perfeita, e diversas cenas de violência gráfica, Marighella põe o dedo na
ferida e joga nas telonas tudo o que de mais repugnante, os ativistas eram
vítimas durante mais de vinte anos.
Claro que seria impossível resumir em duas horas e meia,
todo o terror de duas décadas. Seria necessário uma série com várias temporadas
para isso. O que não seria uma má ideia, visto o quão rico material temos em
nossas mãos.

Marighella é uma produção muito necessária para o contexto
que o Brasil se encontra, e um projeto obrigatório para todos os fãs do cinema
nacional. Se Cidade de Deus e Tropa de Elite abriram caminho lá atrás,
hoje, após o sucesso de Bacurau, é Marighella que faz história e dá uma
aula a todo o mundo, do quão talentosos são nossos artistas; e também ensinam o
quão baixo pode ir a história de um país tão grandioso como o nosso.
Viva a liberdade! E que ela, assim como em nosso hino de independência;
abra as asas sobre nós!
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